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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Teresa Araújo, Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.



Sábado, 23.01.16

Apesar dos entraves à pastorícia há quem não largue o cajado

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Apesar dos desincentivos e dos constrangimentos que ecoam entre os criadores de gado, muitos soajeiros ainda fazem do pastoreio a sua principal fonte de sustento. Dizem-se marginalizados por residirem no “coração” do Parque Nacional, mas não desistem à primeira. Só que os ataques do lobo, a destruição das pastagens por incêndios suspeitos, o corte de (alguns) subsídios e o não pagamento pelo Estado das indemnizações devidas têm vindo a desencorajar a atividade.

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Ana Moura, de Paradela, não abandonou a atividade, mas mudou-se para Labrujó (Ponte de Lima). “Vim da serra de Soajo para a serra [da Labruja], onde tenho um estábulo”, diz. É lá que ela tem a vida “estabilizada” e tira rendimento das “150 vacas, entre cachenas e barrosãs.”

À pergunta se compensa trabalhar no setor agropecuário, Ana Moura responde prontamente. “Sim, vale a pena, desde que se saiba fazer contas e na condição de se ter uma grande manada, como é o meu caso”, explica, reconhecendo que os pequenos produtores, por causa da “redução acentuada dos subsídios”, vão ter muitas dificuldades em resistir. Por isso, acrescenta a produtora, “alguns criadores acabaram por abandonar a atividade”, vencidos por promessas de apoio que nunca mais se confirmaram e por ataques impiedosos do lobo.

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Pela serra de Soajo mantém-se António Cerqueira (Catito), que tem 120 vacas, entre adultas e crias, 29 cabras e 15 cavalos. Ao todo, 164 cabeças, uma das maiores reses do concelho. Conhece a serra como poucos e tem denunciado, quer na comunicação social quer em diversos fóruns, a restritiva e alheada gestão do PN, com consequências na floresta desordenada, na falta de corta-fogos e no farto material combustível.

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Já João Pereira, apesar de fazer contas de subtrair – “o rendimento baixou entre 20 e 30%” –, vai resistindo. “Tenho 33 vacas, todas cachenas, e 12 equinos, em regime semiextensivo, sendo que no inverno os animais vêm todos os dias ao estábulo, porque a nossa serra é muito fraca e por isso temos de lhes dar forragens, que estão cada vez mais caras”, constata o produtor. Cada fardo de feno pode custar mais de três euros, e cada rolo só dá para alimentar três cabeças durante uma ceia.

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Tendo em conta os custos associados, mais ainda no caso de se tratar de uma nova exploração, João Pereira desencoraja investimentos de raiz, a não ser que os empreendedores “gostem muito de gado e estejam cientes da carga de trabalho que a atividade implica”, sentencia.

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Seja como for, velhos e novos exploradores concordam que o PN tem um valor incalculável, mas é urgente delinear estratégias articuladas com a população, que tem de ser consultada pelos responsáveis do Parque para que as aldeias de montanha não fiquem irremediavelmente despovoadas.

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por Soajo em Notícia às 17:23



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