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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Teresa Araújo, Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.



Quarta-feira, 10.08.16

O “inferno” das chamas voltou a Soajo

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Volvidos seis anos, Soajo volta a viver o “inferno” das chamas. O incêndio, que eclodiu nas imediações do Parque de Campismo da Travanca, às 2.11, do dia 8 de agosto (ontem), alastrou sem tréguas e, com a mudança de rumo dos ventos, avançou, a meio da tarde, para Vilar de Suente, onde o fogo chamuscou casas e consumiu quintais, ramadas e campos de cultivo. A população deste lugar que não conseguiu sair a tempo foi “abrigada” na capela, sendo depois conduzida para o Centro Social e Paroquial de Soajo, antes do regresso a casa. Pelo caminho, antes e depois, ficou um rasto de destruição no “coração do único Parque Nacional, que continua a arder. Avizinham-se tempos difíceis para alimentar o gado.

A, já de si, preocupante temporada de incêndios agravou-se nos dias 7 e 8 de agosto, com um grande número de ignições a ocorrer, praticamente à mesma hora, em vários pontos de Arcos de Valdevez, uma situação que teve paralelo noutros concelhos da zona norte e centro, com repercussão nos minguados recursos disponíveis (meios terrestres e aéreos), a que se juntou o esgotar da capacidade de rendição dos operacionais, como, em comunicado enviado às redações, era reconhecido pelo Comando Distrital de Operações de Socorro de Viana do Castelo, que acionou o Plano Distrital de Emergência de Proteção Civil de Viana do Castelo.

Não sendo ainda hora para um balanço definitivo (o incêndio continua a evoluir...), certo é que as chamas consumiram uma área muito substancial de mato, povoamento florestal e pasto, espalhando o pânico à população, que se queixou da falta de bombeiros e de meios aéreos. De resto, o intenso calor e o forte declive do terreno estão a dificultar, e muito, o combate a este incêndio, que formou um extenso anel e alastrou à freguesia de Cabana Maior.

“Em Vilar de Suente, foi o fim do mundo”, disse ao blogue Soajo em Notícia António Santos, mal refeito do susto. “Em poucos minutos, atravessou esta mancha e cercou o lugar de Vilar de Suente, valendo-nos a ação dos bombeiros colocados em posições estratégicas”, conta Santos, enquanto, esta terça-feira, de manhã, faz uma ronda pelo aglomerado residencial do lugar.

De referir que, em virtude de vários fogos estarem a lavrar em simultâneo no concelho de Arcos de Valdevez e de os meios disponíveis serem manifestamente insuficientes, situação agravada com a perspetiva de as temperaturas continuarem muito elevadas, os responsáveis decidiram decretar o estado de emergência.

Para acudir a tantas frentes, alguns soajeiros, como forma de prevenção, acomodaram cubas de água em carrinhas, posicionando-se nas cercanias de casas e de unidades produtivas. Os poucos meios existentes – bombeiros, equipas de sapadores florestais e viaturas – estavam quase todos concentrados nas habitações e nos anexos agropecuários. Por volta das 18.00 do dia 8, segundo a página oficial da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), estavam mobilizados 64 bombeiros, apoiados por 22 meios terrestres, dispositivo que seria reforçado no dia 9 (112 operacionais, ajudados por 36 viaturas e dois meios aéreos, um dos quais seria “desviado”, de manhã, para outro local).

 

População cercada pelo fogo

A população de Vilar de Suente viveu momentos de aflição, com as chamas a rondarem casas, anexos agrícolas e campos de cultivo. A grande preocupação foi, desde logo, impedir o avanço do fogo sobre as populações, preservando, assim, a segurança de pessoas e de bens.

Receando pelas suas habitações, alguns moradores de Vilar de Suente resistiram aos primeiros apelos de retirada para local seguro, mas acabaram por ceder à tentação de arriscar a vida, pois de pouco valeria o voluntarismo.

“Foi pior do que há seis anos, de repente ficámos cercados pelo incêndio”, reforça António Santos, que, no entanto, com a ajuda dos bombeiros, conseguiu salvar a casa e os seus pertences. Menos sorte tiveram alguns vizinhos, que, além de quintais, ramadas e anexos destruídos, tiveram, ainda, as chamas à porta de casa.

Em Vilar de Suente, escassas horas depois da angústia, fazem-se contas aos prejuízos, lamentando-se a ausência de meios aéreos durante a tarde de ontem e a origem premeditada deste incêndio. “Começou de madrugada e, como sempre, ninguém há de ser responsabilizado”, atirou um popular do recôndito lugar, que se sentiu “um pouco indefeso contra a fúria do fogo.”

Como já aconteceu em situações similares, para prevenir situações adversas a quem circulava, a estrada de acesso a Soajo foi cortada à circulação rodoviária por bastante tempo. Mas não tardou para que o nervosismo fosse, também, vivido às portas de vila de Soajo, com o incêndio a avançar sem pedir licença. Os exploradores pecuários (e não só), com a ajuda de conterrâneos, só tiveram tempo de recolher os animais, abrigando-os, depois, em local seguro. Mas, em pouco tempo, o devastador fogo “engoliu” povoamentos florestais e densas áreas de mato, atingindo, num ápice, alguns barracões e casas de férias.

Nos casos mais complicados, a técnica do contrafogo, para deter uma frente e proteger casas, surtiu efeito, afastando as chamas da zona, mas as enormes labaredas da encosta rapidamente colocaram em sobressalto dezenas de populares concentradas em Reigada, justamente na estrada que dá acesso à vila de Soajo.

Sem grande ajuda dos operacionais, mobilizados para outras localidades, os proprietários com as chamas à porta tentaram a todo o custo, com o auxílio de água pressurizada por mangueira, motosserras e enxadas, salvar casas do campo ou de férias, assim como propriedade agrícolas.

Aqui, criticou-se a falta de meios e de limpeza das áreas de mato nas faixas regulamentadas. Uma revoltada soajeira apontou como causa da propagação do incêndio a inércia das entidades em relação à prevenção, notando que caiu em saco roto o pedido reiterado para se proceder à limpeza do mato e da abundante vegetação rasteira.

Entretanto, o vento foi “empurrando” o incêndio para a zona das Ínsuas, e daqui para o Areeiro, colocando em risco alguns estábulos, cujos animais estavam, no entanto, a salvo. Com o fogo a lavrar por perto dos barracões, algumas brigadas foram-se posicionando em locais nucleares para proteção dos bens.

Na imensa nuvem de fumo a sobrevoar a serra, vislumbraram-se vários reacendimentos, que não estão a dar descanso ao dispositivo operacional, preocupado com o vento, instável, e o muito material combustível existente, espécie de rastilho a atiçar fogachos.

 

Situação operacional

O incêndio, esta terça-feira de tarde, continua a lavrar forte e as chamas ameaçaram, pelo menos, uma casa numa zona residencial e anexos agrícolas na serra. Por sorte, a zona da Reigada ficou a salvo, mas o nível de alerta vai aumentando à medida que o fogo se vai aproximando da vila de Soajo, enquanto a pressão sobre os estábulos está difícil de controlar, ao mesmo tempo que o anel de fogo está a evoluir, perigosamente, para o Coto Velho e a Costa Velha.

Noutro local, por forma a evitar a propagação do incêndio ao lugar de Vilarinho das Quartas, foi colocada uma brigada de sapadores nas imediações da corga.

De acordo com a página da ANPC, o incêndio, à hora (17.25) em que se publica esta reportagem, encontra-se “em curso”.

 

Balanço provisório

Muitas centenas de hectares de área ardida é, para já, o resultado provisório do trágico incêndio que, ainda, está a lavrar no coração do Parque Nacional. O rasto de destruição estende-se por vários quilómetros. De comum a muitos dos residentes, foi a perda de pastos para os animais, indo aumentar, consideravelmente, os custos relativos à aquisição de forragens.

À vista desarmada, sobra a conclusão de que pouca mancha verde escapa à fúria das chamas. Infelizmente, não é só a paisagem do Parque que fica, irremediavelmente, “ferida” com o incêndio, mas também a economia da região, que estava a apostar, cada vez mais, no turismo de natureza, sem esquecer o muito provável desequilíbrio dos habitats.

O verde transformou-se num enorme manto preto e a paisagem idílica virou um cenário dantesco, que vai condicionar a vida dos criadores de gado e afetar, ao que tudo indica, o turismo ligado à natureza.

 

Porque é que os incêndios se propagam na Reserva Mundial da Biosfera?

Das muitas razões que podiam ser suscitadas para o flagelo dos incêndios, uma delas a flagrante impreparação de certos responsáveis da Proteção Civil, há uma outra que sobressai: não existe a cultura de, durante o inverno, prevenir os fogos através da gestão do material combustível. 

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por Soajo em Notícia às 00:26



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