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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Teresa Araújo, Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.



Segunda-feira, 28.11.16

Oficina noturna terminou "incrivelmente" com avistamento e canto de uma coruja-do-mato

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Soajo em Movimento ConVida, em parceria com a associação Moving Cause, promoveu, no passado dia 26 de novembro, mais uma oficina, desta vez alusiva às rapinas noturnas. O técnico Luís, que se definiu como sendo um “misto de veterinário, biólogo, ecólogo e passarólogo”, desmontou, para uma plateia de quase vinte pessoas, alguns dos deslizes mais comummente difundidos, dos quais destacaremos a confusão generalizada entre pássaros e aves.

Finda a sessão teórica, seguiu-se a caminhada noturna com a finalidade de ouvir o canto de alguma rapina. O grupo que resistiu ao frio e à hora adiantada teve, no fim da sessão, uma boa surpresa ao ouvir e ver uma das rapinas caraterísticas do habitat.

“Já no final da oficina, decidimos tentar, uma última vez, no Mezio, e, quando já estávamos prestes a voltar para casa, houve uma coruja-do-mato que respondeu ao nosso chamamento. Ainda estivemos uns minutos em comunicação com ela, ora respondia ela, ora ‘respondíamos’ nós, através da coluna do Luís, à medida que íamos sentindo que ela se aproximava cada vez mais. Até que a ave respondeu mesmo, próximo da árvore que estava à nossa frente! Ligámos o foco e aproximámo-nos na tentativa de a ver pousada nos galhos e acabámos por vê-la em pleno voo em direção a outra árvore”, conta a coorganizadora Filipa Correia.

“Pensávamos que a sorte não estava do nosso lado e tivemos um final incrível”, acrescenta a jovem ceramista, que diz ter “adorado” a “divertida” oficina, na qual se “aprendeu muito”.

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Ensinamentos da sessão

De toda a “aula”, a grande conclusão é que ainda existem equívocos disseminados. É comum ouvir dizer-se que “pássaro e ave são a mesma coisa”, mas, na verdade, todos os pássaros são aves, mas nem todas as aves são pássaros.

Ou seja, em termos sintéticos, como o explica o dicionário Ciberdúvidas, apoiado em estudos técnicos, “a ave é um animal vertebrado, pulmonado, de sangue quente, com bico de matéria córnea desprovido de dentes, cujo corpo revestido de penas está adaptado ao voo”. As aves (de rapina) noturnas têm os olhos grandes, redondos e virados para a frente.

São exemplos de aves a águia, a coruja, o mocho, o papagaio, o pato, a galinha, a garça, o pombo, o corvo, o gavião, o peru, o cisne…

Já o pássaro – comparado, vulgarmente, a uma ave pequena – é, rigorosamente, uma “ave pertencente à ordem dos passeriformes”.

O pintassilgo, o melro, o gaio e a carriça são alguns dos pássaros mais conhecidos.

Daqui se conclui que a principal diferença é que todos os pássaros são aves, mas só uma parte das aves pode ser designada de pássaro.

Mocho e coruja: semelhanças e diferenças

O mocho e a coruja designam aves pertencentes à família strigidae, da ordem strigiformes. De acordo com algumas culturas, simbolizam a sabedoria, o mistério e o azar.

Ao contrário da coruja, o mocho tem um tufo de penas de cada lado da cabeça, que ele levanta sempre que está inquieto ou “curioso” e que baixa durante o voo.

As orelhas dos mochos, situadas ao lado da cabeça, são deslocadas, uma em relação à outra, para possibilitar que estas aves localizem, com exatidão, a origem do som.

A excelente visão noturna (e, também, de dia), a audição muito apurada e o voo silencioso fazem dos mochos predadores poderosos, peritos na caça de surpresa. Por regra, engolem inteiros todos os tipos de presas vivas; depois regurgitam as partes não digeridas (asas de insetos, penas, ossos e pelos) sob a forma de bolas que se diferenciam segundo a espécie (revelando, por consequência, a presença dessas aves no local).

As diferentes espécies de mochos diferenciam-se pelo tamanho, cor, plumagem e distribuição. Comum a todas elas, é a sua atividade noturna. Emitem os seus chamamentos ao anoitecer e ao amanhecer.

De igual modo, à hora em que todos dormem, também a coruja está acordada (com os olhos esbugalhados) e extremamente atenta aos barulhos. Por isso, há culturas que a veem como uma ave poderosa e “conhecedora” do oculto.

Segundo disse o técnico convidado, “a coruja gira o pescoço em até 270º” para observar algo ao seu redor, permanecendo com o resto do corpo sem o menor movimento. A enorme capacidade de visão e a audição apurada tornam, igualmente, as corujas especialistas em caçar.

Uma das espécies mais comuns nesta área do Parque Nacional – a qual foi avistada nesta oficina – é a coruja-do-mato, de tamanho médio e plumagem castanha, algo que a distingue da coruja-das-torres, que tem as penas brancas.

O grito noturno da coruja-do-mato, verdadeiramente assustador em noites de inverno, é, com frequência, ouvido todo o ano (ou quase) em zonas florestadas, caso de Soajo e, de um modo geral, na área do Parque Nacional (e imediações deste). Existem relatos do seu canto frequente nos montados de Ermelo.

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 Fotos (aves): Internet e Público

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Soajo em Notícia às 18:38



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