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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.



Quarta-feira, 20.12.17

Sonya Neto estuda “fatores que determinam envelhecimento saudável e livre de problemas cognitivos”

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Não é só Microbiologia, nem unicamente Neurociência. Também não é só Biologia, nem simplesmente Bioquímica, ou Enologia. A vida da soajeira Sonya Carvalho Neto mistura tudo isso a pensar num objetivo superlativo: aumentar o conhecimento em prol das ciências da vida.

Após vários anos de trabalho científico na Áustria e na Alemanha, esta investigadora doutorada integrada desenvolve um projeto no Instituto de Biomedicina (Universidade de Aveiro). Aqui, propõe-se desbravar caminhos na medicina personalizada e de sistemas para perceber quais os “fatores que determinam o envelhecimento saudável e livre de problemas cognitivos”.

Sonya Neto pertence a uma geração que se formou/forma lá fora, nos melhores e mais afamados laboratórios do mundo, pelo que o regresso desta nova vaga de cientistas tem de ser aproveitado pelo Estado e restantes agentes para financiarem convenientemente a ciência e a formação avançada rumo ao progresso, que, no caso de Sonya, passa, e muito, pelo “alívio de sintomas relacionados com a patologia e tratamento”.

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Quem é Sonya Carvalho Neto

. Tem 37 anos.

. É filha dos soajeiros António Neto ("Tonais") e Emília Neto.

. Estudou e fez ciência em Portugal, na Áustria (onde fez doutoramento em Neurociências) e na Alemanha.

. Faz Investigação em Neurociência e na área do envelhecimento.

. Desenvolve projeto científico no Instituto de Biomedicina (Universidade de Aveiro).

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Como e quando é que começou o fascínio pela Microbiologia?

Creio que o fascínio pela ciência surgiu relativamente cedo, talvez quando estudei o sistema solar. Esse conhecimento teve um grande impacto em mim. Fez-me questionar muita coisa e despertou uma certa curiosidade em tentar perceber o universo em que vivemos, quem somos e de onde surgiu a vida. A Microbiologia, como quase toda a minha carreira académica e a própria vida, aconteceu por acaso. 

Posteriormente, fez especialização em Neurociências. De que trata esta área multidisciplinar?

Sim, depois de acabar Microbiologia e de ter feito projeto de final de curso em vinhos, o plano era ir para a Austrália trabalhar em enologia. Acabei por ir “parar” à Áustria para cursar e investigar Neurociências (estudo do sistema nervoso). É uma ciência multidisciplinar que mistura a Bioquímica, a Biologia e a Fisiologia dos neurónios e circuitos neurais.

Sobre que temas fez incidir as investigações em Neurociências? A que conclusões já chegou? 

A minha tese incidiu em terapia celular na doença de Parkinson. Basicamente, o projeto consistiu em usar expressão genética para caracterizar transplantes de células embrionárias, otimizar protocolos de diferenciação de células estaminais e acompanhar o seu desenvolvimento in vivo [que ocorre dentro de um organismo] num modelo animal de doença de Parkinson. Os resultados permitiram algumas pistas que poderão, eventualmente, ser usadas para otimizar terapia celular em Parkinson. Além disso, e no contexto de obesidade, trabalhei num projeto em que o objetivo foi o de perceber o efeito da leptina, que é uma proteína segregada pelo tecido adiposo, na química de uma região do cérebro que, normalmente, está associada ao vício e à depressão. Verificámos que a leptina atua no sistema dopaminérgico e serotonérgico. Isto veio clarificar um dos possíveis mecanismos responsáveis pelos efeitos antidepressivos desta proteína. O caminho percorrido até aqui mostra que a ciência é feita de pequenos passos. Só depois de muitos anos de investigação é que Neil Armstrong pisou a lua para, como disse na altura, dar “um pequeno passo para um homem, [mas] um grande passo para a humanidade”.

Realizou projetos além-fronteiras. Onde e quais os campos de estudo?

Sim, trabalhei na Áustria e na Alemanha. Sempre em Neurociências, Depois, deu-se o regresso a Portugal.

O que está a investigar na Universidade de Aveiro? Ao abrigo de que projeto se encontra a trabalhar neste prestigiado centro de investigação? Qual a duração da ação?

Em Aveiro, em colaboração com uma equipa do Instituto de Ciências da Vida e da Saúde, da Universidade do Minho, estamos a tentar perceber quais os fatores que determinam o envelhecimento saudável e livre de problemas cognitivos. O objetivo é identificar biomarcadores que nos indiquem o surgimento de problemas precoces a esse nível. O projeto, financiado pelo Programa de Ações Conjuntas, é válido por três anos.

Com um currículo internacional tão interessante, o que gostava de investigar a fundo para se realizar?

Até há bem pouco tempo estava com vontade de fazer outra coisa qualquer. Depois surgiu a oportunidade de vir para Aveiro. O projeto é interessante e estou bastante motivada. As perspetivas de continuar a fazer investigação vão depender dos resultados do projeto em que estou a trabalhar e da capacidade de conseguir atrair investimento para um futuro projeto. São temas que me interessam bastante a plasticidade cerebral (capacidade que o cérebro tem para se remodelar), a perceção e a interação corpo-mente.

Gostaria de perceber melhor o ‘efeito placebo’, o efeito benéfico que surge do facto de o paciente acreditar que vai melhorar. Os mecanismos não são completamente compreendidos, poderá não contribuir diretamente para a cura, mas pode, por exemplo, aliviar certos sintomas relacionados com a patologia e tratamento. Na minha opinião, isso é extremamente relevante no caso de enfermidades como o cancro.

Os portugueses têm a perceção de que é difícil fazer ciência em Portugal e que o país não consegue “reter” as melhores cabeças. O que é que pensa disso? 

A investigação que se faz em Portugal é reconhecida a nível internacional, mas fazer ciência é difícil. É um ambiente extremamente exigente, muito competitivo e instável. É a primeira vez que faço investigação em Portugal, a comunidade científica que encontrei lá fora era muito internacional. Essa multiculturalidade é benéfica e necessária, porque permite abordar problemas tendo em conta várias perspetivas, há troca de conhecimento, ideias, tecnologia... Contudo, reconheço que as condições para os investigadores em Portugal são precárias e isso é um problema, mas não deixa de ser uma extensão da precariedade existente na classe operária do país.

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por Soajo em Notícia às 18:00


1 comentário

De Soajo em Noticiário a 21.12.2017 às 12:09

Parabéns Doutora Sónia pelos sucessos conseguidos!
Além do mais, é um orgulho para os Soajeiros e para Soajo vermos uma simpática e inteligente Soajeira a fazer investigação na pretigiada Universidade de Aveiro!
Julgo interpretar os desejos dos Soajeiros!
Obrigado!

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