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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

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Para além da componente de negócio que está fortemente associada à Feira das Artes e Ofícios Tradicionais (FAOT), Soajo também vai ser palco de diversas atividades ligadas ao mundo rural este fim de semana.

Para que as tradições não morram, os mais velhos convidam a geração mais jovem (e não só) a “descobrir” um dos trabalhos agrícolas mais emblemáticos desta localidade serrana, a malhada tradicional do milho, no próximo domingo, 15 de julho (às 17.00, na Eira do Penedo).

Mais cedo, pelas 15.00, será dado início ao desfile de carros de bois, um dos mais primitivos meios de transporte de carga (mas cada vez mais em desuso). A chiadeira proveniente destas “peças de museu” dará um aspeto pitoresco ao bonito percurso entre o Largo do Eiró e o Campo da Feira.

A outra iniciativa que remete para a essência da Terra prende-se com a exposição “Soajo, o Tempo e a História”, que é inaugurada esta sexta-feira, 13 de julho (19.00), e estará patente, pelo menos, até domingo, 15. O espaço promete ser uma recriação mais ou menos fiel da casa do juiz e, pela riqueza de pormenores, valerá bem a pena uma visita.

Paralelamente, quase no encerramento da FAOT, será dramatizada a peça “O Juiz de Soajo”. A teatralização só com “atores” locais começa às 18.00 de domingo.

A FAOT é inaugurada esta sexta-feira (pelas 18.00).

Foto: António Neto

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No dia 14 de julho, os visitantes da Feira das Artes e Ofícios Tradicionais (FAOT) de Soajo poderão assistir a prometedores concertos musicais integrados no evento que vai na 19.ª edição.

O primeiro espetáculo (animação de rua) tem o início marcado para as 16.30 de sábado e está por conta da Fanfarria Taquikardia, banda galega (sediada em Santiago de Compostela) que, entre “várias influências”, mistura “sonoridades dos Balcãs e música de raiz tradicional”, segundo disse ao blogue Soajo em Notícia Vasco Domingues.

O mesmo grupo, com 11 músicos, atua em palco (Largo do Eiró) pelas 23.30, mas uma hora antes é a vez de a banda portuense Torcido (no mesmo espaço) levar a animação àquela “sala de visitas”. De acordo com a sua página oficial, Torcido resultou da “junção de timbres e melodias que André Nunes [músico] há muito tinha na gaveta”.

A iniciativa do próximo sábado, produzida pela Associação Desportiva e Cultural de Soajo, tem como objetivo diversificar a oferta cultural da FAOT, ajudando com isso a inverter o declínio das edições anteriores.

A FAOT realiza-se de 13 a 15 de julho.

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Fotos: Fanfarria Taquikardia e Torcido

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O Rancho Folclórico das Camponesas da Casa do Povo da Vila de Soajo participou, no passado dia 7 de julho, no Festival Nacional de Folclore de Fortios, localidade da região de Portalegre (Alto Alentejo) com cerca de 2 mil habitantes. A coletividade soajeira mobilizou em palco 49 elementos e uma “embaixada” de 18 conterrâneos aderiu à campanha de lugares pagos (transporte coletivo), ajudando com isso a engrossar a assistência que se posicionou no Largo da Boavista.

“A atuação correu muito bem”, disse ao blogue a presidente do Rancho soajeiro, Diana Domingues, contente por levar a cultura e a música de raiz popular de Soajo ao festival que tem vindo a granjear grande prestígio no contexto do folclore nacional.

Para além da associação de Soajo, o desfile etnográfico por terras alentejanas contou com a presença do grupo anfitrião (Rancho Folclórico de Fortios), do Grupo Folclórico ‘As Morenitas’ de Torrão do Lameiro (Ovar), do Rancho Folclórico da Ribeira de Celavisa (Arganil), do Grupo de Danças e Cantares de Barcelos e do Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira (Tomar).

Entretanto, inserida na programação das Festas do Concelho de Arcos de Valdevez, a próxima exibição do Rancho Folclórico das Camponesas da Casa do Povo de Soajo, fora do torrão natal, está marcada para o dia 5 de agosto.

No presente, os ranchos da vila de Soajo e de Vilarinho das Quartas são, sem dúvida, os melhores embaixadores de Soajo.

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Nota - Fotogramas do vídeo de Estrela Ribeiro.

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A 19.ª edição da Feira das Artes e Ofícios Tradicionais (FAOT) realiza-se de 13 a 15 de julho. Nos preparativos da organização, a Junta de Freguesia e as associações locais, com o apoio do Município, acordaram a elaboração de um programa diversificado.

Para além da vertente de negócio, em torno dos produtos endógenos, o certame inclui um conjunto de atividades lúdicas e socioculturais em respeito pelas tradições etnográficas da Terra.

Em paralelo, com a finalidade de atrair grandes massas, o popular programa “Somos Portugal” (da TVI) será emitido, diretamente, de Soajo (Campo da Feira) no dia 15 de julho.

A agenda do referido canal não terá permitido a realização da FAOT numa data mais favorável à imensa comunidade de emigrantes que, maioritariamente, só começa a chegar no início de agosto.

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Programa completo da FAOT

. 13 de julho (sexta-feira): abertura oficial da FAOT e inauguração da exposição de fotografia no salão do Centro Social e Paroquial (18.00); abertura da exposição “Casa Museu” (19.00); jornadas gastronómicas nos restaurantes e nas tasquinhas (20.00); cantares ao desafio (21.30); comediante Fernando Rocha (22.30).

. 14 de julho (sábado): subida do rio Adrão e passeios equestres (10.00);
abertura da FAOT (11.00); jornadas gastronómicas nos restaurantes e nas tasquinhas (12.00); concurso de mel, jeep tour no Alto do Gião e eco bike tour (15.00); Fanfarra “Taquikardia” e concurso pecuário (16.30); jeep touro no Alto do Gião (17.00); concurso de beleza de equinos da raça garrana (18.00); provas comentadas de vinhos – harmonização de vinhos e produtos regionais (19.00, no Campo da Feira); passeio pedestre “Soajo ao pôr do sol” (19.00); jornadas gastronómicas nos restaurantes e nas tasquinhas (20.00); encontro de rusgas populares (21.30, no Campo da Feira); Banda “Torcido” (22.30, no Largo do Eiró); Fanfarra “Taquikardia” (23.30, no Largo do Eiró).

. 15 de julho (domingo): passeios equestres (11.00); abertura da FAOT (11.00); jornadas gastronómicas nos restaurantes e nas tasquinhas (12.00); “Somos Portugal” (14.00); jeep tour no Alto do Gião, eco Bike tour e desfile de carros de bois com início no largo do Eiró (15.00); malhada do milho tradicional (17.00, na Eira do Penedo); jeep tour no Alto do Gião (17.00); dramatização da peça “O Juiz de Soajo” (18.00, no Largo do Eiró); passeio pedestre “Soajo ao pôr do sol” (19.00); jornadas gastronómicas nos restaurantes e nas tasquinhas (20.00); encerramento da feira (21.00).

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Os eleitos de Soajo na Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez dividiram-se na votação da proposta de adesão da Câmara à sociedade Águas do Alto Minho. A favor da parceria votaram Manuel Barreira da Costa e Ivo Baptita (ambos do PSD), mas Jorge Lage (PS) e Sandra Barreira (CDU) rejeitaram a proposta.

A Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez, com quarenta votos a favor, 14 contra e seis abstenções, autorizou a Câmara a aderir à referida “parceria pública” entre o Estado português e vários municípios do Alto Minho com vista à gestão intermunicipal dos sistemas de abastecimento público de água (em baixa) e saneamento de águas residuais.

Na defesa da proposta, o presidente da Junta de Freguesia de Soajo justificou a sua posição com o facto de “haver uma atenção especial aos carenciados” e de estar prevista “uma entidade reguladora”.

“Espero que, com a empresa Águas do Alto Minho, as coisas venham a melhorar. Debatemo-nos com grandes problemas de água em Soajo, no verão do ano passado, todos os dias os camiões dos Bombeiros levaram água para Cunhas, Paradela e Adrão”, recordou Manuel Barreira da Costa, antes de tecer alguns considerandos acerca da Assembleia de Freguesia de Soajo ocorrida no passado dia 16 de junho.

“Falei sobre esta situação e ninguém me fez perguntas, as pessoas estão sensibilizadas, sabem que, se não houver aumento de uma maneira, haverá aumento de outra. E não haverá despedimentos de trabalhadores”, afiançou o presidente da Junta, que, no entanto, se esqueceu de dizer que a questão da água não integrou a ordem de trabalhos dessa sessão da Assembleia de Freguesia e, neste sentido, não foi colocada à votação dos eleitos, aos quais, de resto, não foi facultada documentação nenhuma acerca desta matéria.

Para um cabal esclarecimento dos leitores, o blogue Soajo em Notícia recupera as declarações proferidas pelo presidente da Junta nessa Assembleia em Soajo, justamente no dia seguinte ao encontro que juntou os autarcas de freguesia e o presidente da Câmara na sede do concelho.

“Nesta reunião [de 15 de junho], a grande maioria dos presidentes de junta era contra, mas, depois das voltas dadas pelo presidente da Câmara, penso que a maior parte ficou confusa. A água e o saneamento dão um prejuízo à Câmara na ordem dos 400/500 mil euros todos os anos e, portanto, ou eles constituem a parceria, que não é privada, mas pública, e com um regulador para fiscalizar os preços, ou a Câmara Municipal terá de aumentar o preço da água entre 28% e 30% em relação ao tarifário atual. Ora, fazendo as contas, não sei como é que estaremos melhor”, comparou Manuel Barreira da Costa na Assembleia de Freguesia de Soajo realizada no passado dia 16 de junho”.

Ou seja, depois das reticências iniciais, e com base nas explicações do presidente da Câmara, vários autarcas de freguesia terão ficado com a perceção de que havia bons motivos para a constituição da referida “pareceria pública”.

Para além disso, o autarca de Soajo revelou aos eleitos e fregueses presentes na sala do Centro Social e Paroquial que “os presidentes de junta perguntaram [a João Manuel Esteves] se essa empresa não ia fazer o saneamento também, mas isso está fora de questão, eles só vão pegar naquilo que existe […]. Infelizmente, fiquei a saber que o saneamento não é para já nos lugares de Soajo. Lembrei ao presidente da Câmara que temos um projeto já feito, somos uma Área Protegida, e nas áreas protegidas devia haver saneamento, e o senhor presidente até disse que era verdade”, contou Manuel Barreira da Costa, na referida sessão ordinária da Assembleia de Freguesia.

Com estes dados em cima da mesa, era aguardada com alguma expetativa a posição de voto do presidente da Junta de Freguesia na Assembleia Municipal de 29 de junho, o qual optou por aprovar a proposta de concessão da água, ao contrário da secretária da autarquia, Sandra Barreira, que, na qualidade de deputada municipal (eleita nas listas da CDU), recusou a constituição da parceria.

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Argumentos dirimidos na Assembleia Municipal

Na defesa do projeto, o edil João Manuel Esteves justificou a concessão da água e do saneamento por oito razões principais: “parceria exclusivamente pública”, “incremento da melhoria do serviço”, “proteção ambiental ligada à saúde pública”, “acesso a fundos comunitários”, “garantia de sustentabilidade económico-financeira”, “gestão especializada e competente”, “enorme investimento que vai ser feito” e tarifas menos pesadas para os utentes.

“Se ficássemos sozinhos e se seguíssemos o caminho de qualidade do serviço prestado a partir da renovação da rede, de acordo com os dados que nos foram facultados, a tarifa teria de ser mais cara do que aquela que nos é proposta”, comparou o presidente da Câmara.

No contraponto, João Braga Simões procurou desmontar o raciocínio presidencial. “Os 40% de aumento de que fala o senhor presidente são números que não vimos em lado nenhum e estranhamos o seu aparecimento nesta altura”, denunciou o deputado socialista, acrescentando que, devido à convergência das tarifas, “o preço da água em Arcos Valdevez vai ser nivelado pelo preço de Viana, que é só o mais alto no distrito”.

Já Romão Araújo, com base no clausulado do contrato, denunciou o risco de privatização dos serviços municipais da água. “O articulado da proposta de estatutos da Águas do Alto Minho diz que a sociedade poderá ter ações de categoria B subscritas por pessoas coletivas de direito privado ou direito público, mediante prévia deliberação favorável da Assembleia Geral da sociedade. Portanto, a tese de que isto é uma empresa pública, e que será 100% pública, é mentira. Com esta parceria, a Assembleia Municipal dá carta-branca para a criação e entrada de capital privado nesta entidade”, advertiu o deputado da CDU.

 

O que irá acontecer em caso de alterações ao regime societário?

A privatização da empresa pública, se vier a acontecer algum dia, implicará a caducidade do contrato e a reversão da gestão e das infraestruturas, que, assim, voltariam à posse dos municípios. Mas os opositores da concessão alertam que a resolução do contrato não se fará sem custos para as edilidades. “A saída dos municípios não será limpa”, avisa Romão Araújo, referindo-se à forte possibilidade de as câmaras terem de indemnizar a Águas de Portugal (havendo atividade por amortizar, por exemplo).

Em resposta às dúvidas levantadas, o presidente da Assembleia Municipal admitiu que “todos sabemos que isto tem condicionalismos, mas o objetivo não é deixar a parceria, pelo contrário, é aprofundar a parceria, […] fazendo com que esta permaneça na esfera pública”, enfatizou Francisco Araújo.

Também favorável à constituição da sociedade, Fernando Fonseca afirmou que “só com uma política de agregação das câmaras municipais e do Estado será possível um tarifário equilibrado que permita fazer face aos investimentos necessários para a remodelação de redes”, alegou o deputado do CDS, lembrando os “13 milhões de euros que serão investidos para garantir um serviço de maior eficiência nos Arcos”.

A empresa Águas do Alto Minho para gestão das redes de água (em baixa) e do saneamento será detida, em 51%, pela Águas de Portugal e, em 49%, pela agregação de sete dos dez municípios do distrito de Viana do Castelo (nesta fase, Melgaço, Monção e Ponte da Barca não fazem parte da parceria).

 

Dissonâncias na bancada da maioria

A proposta de constituição da discutida “parceria pública” foi aprovada por quarenta dos sessenta deputados presentes no plenário na altura da votação.

Rejeitaram a criação desta sociedade 14 deputados, de várias sensibilidades políticas: PSD (Armando Barreiro, Ricardo Coelho e Luís Brito Esteves); CDU (Romão Araújo e Sandra Barreira); PS (João Braga Simões, Vítor Sousa, Sandrina Parga, Celine Morais, Jorge Lage, Pedro Alves e António Maria Sousa); e Independentes (Germano Vieira e Mário Cerqueira).

Na bancada da maioria social-democrata, sobressaíram três votos contrários à pronúncia da Câmara. Sem surpresa, os autarcas Armando Barreiro (Gondoriz) e Ricardo Coelho (Aguiã) votaram conforme as deliberações das respetivas assembleias de freguesia. E, mesmo sem o parecer da Assembleia de Freguesia do Couto (que ainda não se pronunciou sobre o assunto), Luís Brito Esteves também declinou este projeto de parceria.

“Isto só vai criar poleiros e aumentar o preço da água a pagar [pelos utentes]. É esta a posição da Junta, das pessoas do Couto com quem tenho falado e de algumas das maiores freguesias do concelho”, realçou ao blogue Soajo em Notícia o presidente da Junta do Couto.

Por fim, abstiveram-se na votação os deputados Rui Aguiam, José de Brito Oliveira e Horácio Cerqueira (sufragados por movimentos independentes), bem como José António Duarte, João Amorim e José de Sousa Barros (os três eleitos nas listas do PSD).

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“Pilar da sobrevivência de todos nós”

No período destinado ao público, o munícipe José Henrique Alves Guimarães dirigiu-se ao palanque para fazer uma declaração sobre o “processo de concessão da água”. O blogue Soajo em Notícia reproduz a seguir o essencial desta alocução.

“Quero referir que, enquanto munícipe ativo na contribuição de impostos diretos e indiretos, as despesas com a distribuição da água pública não podem ser exclusivamente suportadas pelos utentes da mesma, na medida em que o Estado, na figura da autarquia, tem o poder/dever de suportar parte substancial do custo deste bem que é um […] pilar da sobrevivência de todos nós”.

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Frases

. “O sistema agregador dos municípios gera dimensão para servir bem os munícipes. Temos de salvaguardar o interesse da população que é ter água em casa com qualidade”. (Francisco Araújo, PSD)

. “O que eu vi aqui foi a Câmara considerar a água uma responsabilidade muito pesada, mas, sendo ela um direito essencial, deve ser pública e gerida com luvas de pelica. Mas o senhor presidente da Câmara prefere sacudir a água do capote”. (João Braga Simões, PS)

. “As soluções que se preconizam pôr em prática visam reduzir significativamente as perdas […], disciplinar o consumo da água […] e salvaguardar as questões ambientais”. (Fernando Fonseca, CDS)

. “Senhores deputados, esqueçam os partidos, estamos a falar da possibilidade de o setor das águas ser invadido por privados, fazendo da água um negócio e não um direito, como deve continuar a ser. Podemos ficar hipotecados durante trinta anos”. (Romão Araújo, CDU)

. “Este modelo retira aos municípios a capacidade de decisão e intervenção na gestão da água e saneamento nos próximos trinta anos. O princípio do utilizador-pagador vai provocar um aumento significativo nas tarifas em cerca de 30%”. (Germano Vieira, Independente)

. “O povo do Vale não se importava de pagar mais 1 euro na fatura, isto se a água continuasse sob gestão da Câmara e se o serviço fosse de proximidade. A Assembleia de Freguesia votou contra por unanimidade e o meu voto é também contra a proposta”. (Mário Cerqueira, Independente)

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De vez em quando, tem vindo a ser suscitada na Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez a questão do – ainda adiado – projeto turístico na Várzea. O tema foi lembrado pelo deputado Germano Vieira naquele órgão autárquico no passado dia 29 de junho.

Na resposta, o edil João Manuel Esteves esclareceu que, no âmbito do projeto de desenvolvimento da albufeira da Várzea, está a ser equacionada “uma candidatura envolvendo os municípios do Vale do Lima para criar um circuito com pacotes turísticos entre Ourense e Viana do Castelo”.

Complementarmente, uma das intervenções passará, justamente, pela construção de ancoradouros quer na Várzea quer em Ermelo. Ambos estão previstos no Plano de Ordenamento das Albufeiras, sendo considerados investimentos importantes para a diversificação da oferta turística na região.

Por motivos desconhecidos, a candidatura que os quatro municípios da Ribeira Lima apresentaram, há alguns anos, ao Programa Operacional INTERREG, para financiamento de vários projetos ao longo da bacia do Lima, não teve desenvolvimentos positivos.

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Com a questão da delimitação do território entre Soajo e Cabana Maior no “olho do furacão”, o Parque Biológico do Mezio reacendeu conhecidas divergências entre as duas freguesias. Para “pôr termo a uma paisagem geográfica que não tem rigor”, o deputado Jorge Lage submeteu à apreciação da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez uma proposta no sentido de “encarregar a Câmara Municipal a desencadear ações corretivas para alterar […] a delimitação das circunscrições administrativas locais autárquicas das freguesias”, mas esta moção, com vários outros pontos, acabou “chumbada”, com 47 votos contra, oito a favor e cinco abstenções.

“Respeitem o que está presentemente na ordem legal, o território onde está projetado o Parque Biológico é da autarquia de Soajo!”, atalhou o socialista Jorge Lage. Partindo desta tese e do facto de “a Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP) se ajustar ao que consta no tombo de Cabana Maior de 1782” (“até ao ponto de viragem à direita, nas proximidades da atual designação ‘Travanca’, em vez de Mosqueiros, para passar a ser feita com recurso a águas vertentes até ao ‘Cabeço de Guidão”), o proponente defendeu correlativamente o acréscimo “da Serra de Soajo” ao nome do equipamento recentemente licenciado.

Para além das “ações corretivas”, do imperativo de fazer “cumprir o que está disposto em termos legais na CAOP” e do acrescento do referido topónimo, Jorge Lage exortou, ainda, o órgão autárquico municipal a deliberar a inclusão no Parque Biológico do cão sabujo como “animal a cuidar e a preservar”, mas esta recomendação, que foi votada em conjunto com os restantes pontos da moção, acabou rejeitada pelo plenário.

Entretanto, a “disputa” de fronteiras não se resumiu à votação. O presidente da Junta de Cabana Maior, mesmo admitindo que, no futuro, o Parque Biológico se venha a chamar “da Serra de Soajo”, rebateu o raciocínio do proponente quanto aos limites territoriais entre Soajo e Cabana Maior.

“[O deputado] Jorge Lage mencionou o tombo de Cabana Maior, esqueceu-se foi de mencionar o tombo de Soajo. Há divergências, os tombos não coincidem, isto é uma luta de anos, mas o tombo que está em vigor é o de Soajo, não o de Cabana Maior”, retorquiu Joaquim Campos, que prosseguiu na mesma toada.

“Os argumentos apresentados por Jorge Lage não são justificáveis pelas divergências existentes e a freguesia de Cabana Maior não reconhece o traçado da CAOP pela Estrada Municipal ao cruzamento da Travanca”, acrescentou o autarca de Cabana Maior.

Já o presidente da Junta de Soajo, que disse “concordar com algumas das propostas de Jorge Lage”, sublinhou, porém, que a autarquia a que preside “não está a dormir”. “Já foi realizada, há meses, uma reunião com representantes da Junta e da Assembleia de Freguesia de Cabana Maior, e, por muito pouco, a divisão de fronteiras não ficou aí feita”, adiantou Manuel Barreira da Costa, que disse preferir a diplomacia ao litígio.

“Este assunto do Parque Biológico tem de ser discutido pelo diálogo, caso contrário, quem perde é Soajo, Cabana Maior e o concelho… Há 1,2 milhões de euros em jogo no Parque Biológico. Cedendo Cabana Maior um bocadinho aqui, cedendo Soajo um bocadinho ali, tenho quase a certeza de que vamos chegar a um acordo. E não sei por que razão o Parque Biológico não há de chamar-se Parque Biológico da Serra de Soajo?”, perguntou Manuel Barreira da Costa, reconhecendo que esta serra “também é de Cabana Maior, de Cabreiro e de Sistelo”.

Também a deputada comunista Sandra Barreira (de Soajo) considera que “faz todo o sentido acrescentar a serra de Soajo” à nomenclatura do Parque Biológico para “perpetuar” o topónimo e “dar força ao nome de Soajo”.

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Competências dos órgãos autárquicos

Independentemente da argumentação aduzida pelo autor da proposta e dos contra-argumentos defendidos pelo autarca de Cabana Maior, a questão da delimitação de fronteiras entronca, desde logo, com as competências legais atribuídas aos órgãos autárquicos em presença, e foi sobre este ponto que a discussão se passou a centrar até ao “choque” de personalidades entre Jorge Lage e Manuel Barreira da Costa ressoar na sala.

Vamos por partes. Joaquim Campos alegou que “a Assembleia Municipal não é o órgão legal para definir áreas administrativas” e são as autarquias [de Soajo e de Cabana Maior] e os membros das respetivas assembleias que devem resolver os limites em divergência”.

Manuel Barreira da Costa foi ainda mais longe. “Vamos continuar com as negociações e não reconheço à Câmara nenhum direito para legislar sobre os assuntos que dizem respeito às nossas freguesias. Nem a Câmara quer isso tão-pouco. Isto é da competência das juntas e das assembleias de freguesia. Portanto, esta votação não tem sentido, porque a Câmara não pode fazer o trabalho que pertence às freguesias. Os nossos assuntos têm de ser defendidos por nós”, reforçou.

Sintonizado com os dois autarcas eleitos nas listas do PSD, o grupo municipal da maioria (onde apenas o soajeiro Ivo Baptista votou a favor da proposta de Jorge Lage) incentivou “os órgãos autárquicos das respetivas freguesias a promoverem uma boa relação de vizinhança e de cooperação em prol das populações”, lê-se na declaração apresentada por Alberto Leiras, que se socorreu da lei em vigor.

“As juntas e as assembleias de freguesia são os órgãos autárquicos que, primeiramente, se devem pronunciar sobre esta matéria e só depois os órgãos autárquicos municipais, e, por fim, a Assembleia da República é que detém competência para aprovar em matéria de delimitações”, acrescenta o PSD.

Sobre esta discussão, a deputada Sandra Barreira afiançou que o debate se “deve fazer primeiro entre as duas freguesias, que é o que está a acontecer, e, se [a delimitação] for resolvida aí, será trazida, depois, à Assembleia Municipal”.

Entretanto, Fernando Fonseca fez uma recomendação ao executivo municipal para resolver, de vez, o problema das fronteiras. “Tendo em consideração que estas questões de delimitação dos territórios não estão precisas e há muitas situações por resolver em Soajo, Cabana Maior, Vale e Gondoriz, a Câmara Municipal deveria avançar com uma entidade terceira, ligada ao Instituto Geográfico Cadastral, para tentar, do ponto de vista histórico e documental, definir estas questões”, sustentou o deputado do CDS.

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Debate inflamado entre soajeiros

O autarca Manuel Barreira da Costa reafirmou que não estão esgotadas as possibilidades de entendimento, mas o deputado Jorge Lage acusou o presidente da Junta de Soajo de estar a “enganar as pessoas […] com truques” e de “não defender os interesses de Soajo”.

Fortemente visado nas críticas, o autarca social-democrata não se ficou e devolveu a crítica.

“Como o senhor diz, eu nunca estive em Soajo, tive de governar a minha vidinha [no Canadá], mas você estava em Soajo quando se passaram metade destas porcarias [nomenclatura do PN e barragem de Lindoso) e não fez nada”, atirou Manuel Barreira da Costa. [Ver “À desgarrada”]

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À desgarrada

. Jorge Lage: “O presidente da Junta [Manuel Barreira da Costa] já cometeu um grande erro ao deixar que a Porta do Mezio fosse construída em território de Soajo […]. Agora, vem com isto [apelo ao diálogo], mas isso é para enganar as pessoas, porque não está dentro do assunto. O presidente da Junta tem de defender os interesses de Soajo, mas faz precisamente o contrário. [Em relação ao Parque Biológico do Mezio], não se mexeu e deixa fazer o investimento! Veja-se que Cabana Maior já tem muito território para o outro lado, mas querem tomar conta de todo o Mezio.

O senhor Manuel Barreira da Cosa, que saiu em criança de Soajo, não está muito ligado a estes aspetos e não percebe nada disto. O que se nota é que há falta de informação. […] Se o senhor presidente da Junta quiser vender o território de Soajo, que venda primeiro as terras dele. Não tem nada que prejudicar Soajo e, se não sabe, pergunte”.

. Manuel Barreira da Costa: “Queria dizer ao deputado Jorge Lage que, nas reuniões que tive, nunca agi sozinho, levei sempre a Assembleia de Freguesia e os colegas da Junta comigo. Nunca decidi nada nem compreendo muito dos limites de Soajo, considero isso… Como o senhor diz, nunca estive em Soajo, tive de governar a minha vidinha, mas você estava em Soajo quando se passou metade destas porcarias e não fez nada e já era professor! Você era professor quando o Parque Nacional foi instaurado em Soajo, você era professor quando a barragem foi feita e ficou só com o nome de Lindoso! Você, anda agora a querer ressuscitar mortos, acho que é um bocado tarde. Não venha para aqui dar lições de moral, porque, se eu fui governar a minha vidinha, o senhor andou a governar a sua em Portugal. Tive de emigrar, infelizmente. Tenho feito o que posso e as minhas obras falam por mim em Soajo, portanto, meu amigo, não tenho nada a aprender com o senhor”.

. Jorge Lage: “Em relação ao Parque Nacional, [...] fui o único a intervir na Casa do Povo e a defender a inclusão do nome ´Soajo' no Parque Nacional. Ele [Manuel Barreira da Costa] não deve andar com truques, que os deixasse no Canadá”.

. Manuel Barreira da Costa: “Votei contra porque este assunto está a ser resolvido entre as juntas e as assembleias de freguesia. Penso que, com bom senso, resolveremos o problema a curto prazo”.

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