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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

O projeto do Centro Interpretativo e Etnográfico de Soajo (CIES), a implementar no edifício da antiga Câmara (antiga prisão) de Soajo, foi aprovado por unanimidade, pela Assembleia de Freguesia, no passado dia 13 de junho. A iniciativa de âmbito cultural pretende dar a conhecer aos visitantes os costumes e modos de vida ancestrais de Soajo.

“A localizar no Largo do Eiró, o CIES irá, através de um discurso interpretativo que seja acessível a escolas, turistas e à própria comunidade local, honrar e promover o legado histórico e etnográfico da vila e freguesia de Soajo”, lê-se na fundamentação técnica do projeto”, assente em “três temáticas – história, território e etnografia – que se entrecruzam”.

Apresentado aos órgãos autárquicos da freguesia e ao público presente pelo chefe da Divisão Sociocultural do Município, o projeto em causa será, portanto, desenvolvido num edifício que possui uma “carga histórica muito importante para os soajeiros”, como bem sublinhou Nuno Soares logo no início da explanação.

O edificado será objeto de uma intervenção na sua parte estrutural (cobertura e remoção de infiltrações) e, em respeito pela sua traça, serão preservadas quer a “estética” quer a “volumetria”, bem como salvaguardadas as características estruturais do edifício, para que este “seja adaptável funcionalmente no futuro”.

Quanto à sua arquitetura, serão introduzidas algumas alterações no espaço interior, desde logo a instalação de sanitários no rés-do-chão, onde será mantido o “amplo espaço para funcionar como área de armazém (materiais museológicos recolhidos)”, podendo eventualmente ser utilizado por associações ou pela Junta.

No andar de cima, as intervenções respeitarão, de igual modo, a “pré-existência”, estando previsto, como elemento novo, um “espaço Backoffice para acolher um(a) colaborador(a) em permanência”. De resto, serão projetadas duas salas expositivas (uma maior do que a outra) dedicadas à história e ao território, bem como à etnografia, em perfeita simbiose com a identidade de Soajo.

O futuro espaço, condicionado pelas suas reduzidas dimensões, vai, como se disse acima, aliar as referidas temáticas, que serão “comunicadas através de uma multiplicidade de meios como touch-screen, multimédia, vídeos, objetos e painéis interpretativos” – o objetivo é combinar materiais museológicos com tecnologia interativa” para que os “visitantes façam uma exploração dos elementos que estarão representados (ou não por falta de espaço) no Centro”, que também funcionará aos fins de semana, em resposta ao maior fluxo turístico.

Nesta linha, o equipamento “é um produto para Soajo” e “será alimentado pelos soajeiros” (que até já deram vários contributos nesta apresentação pública), mas “o espaço está pensado, acima de tudo, para servir de apoio ao visitante que chega e não sabe nada de Soajo”.

Tendo por base esta “filosofia”, a iniciativa vai conjugar o património histórico/etnográfico com a disponibilização do máximo de informação possível (bilingue, português e inglês) através de equipamentos digitais”. “O turista encontrará vitrinas com suporte Kiosk, conteúdos digitais, diversos materiais expositivos, espólios com centenas de anos, painéis dedicados à história com leituras concisas, móveis recuperados para a estrutura cénica e muito mais”, especificou Nuno Soares.

O futuro CIES, a funcionar em estreito “diálogo” com o património físico exterior (e por isso é que o visitante será convidado a fazer roteiros pedonais para ver in loco elementos como o Pelourinho, a Casa do Juiz, o Núcleo de Espigueiros, as estátuas do Sabujo…), colocará em relevo, entre outros aspetos, a importância da serra na identidade do povo soajeiro; a história do Juiz de Soajo na primeira pessoa, como símbolo da inteligência e da justiça; a expressão semiótica das narrativas, da poesia e da literatura; a interligação da cozinha tradicional à comunidade soajeira de montanha; o ciclo da cozedura do pão; as memórias despertadas por acessórios como a masseira…

Calendário apertado

O dossiê técnico e os conteúdos a desenvolver estão praticamente ultimados, pelo que o projeto, a candidatar a financiamento, será apresentado e colocado à votação em próxima reunião de Câmara.

Se o cronograma for cumprido, até ao final do ano em curso serão adjudicados os trabalhos e será dado início ao processo de recolha de informação com consulta a vários soajeiros.

A intervenção no edificado deverá arrancar no primeiro trimestre de 2021.