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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Reunida, em sessão extraordinária no passado dia 6 de agosto, a Assembleia de Freguesia de Soajo ficou assinalada no decurso dos trabalhos por alguns anúncios feitos pelo presidente da Junta, assim como por desabafos e reações de indignação por parte do público presente.

Segundo informou Alexandre Gomes, “o problema do estacionamento nas imediações do Poço Negro está quase resolvido, o terreno, situado à beira da casa de José Luís Maceira, já se encontra minimamente preparado para receber o parqueamento, se o estacionamento for bem organizado, o espaço pode acomodar mais ou menos quarenta carros, é menos uma dor de cabeça que temos”, regozijou-se o autarca, acrescentando que, àquela data, “faltava apenas sinalizar a estrada”, embora a oposição, pela voz de Albino Enes, tivesse notado que “este parque apenas iria solucionar uma pequena parte do problema”.

Questionado pela deputada Rosalina Araújo “sobre que moldes estava a funcionar o regime de meio tempo assumido por Jaqueline Fidalgo” e “quais os benefícios práticos deste serviço para os soajeiros”, o presidente da Junta confirmou que “o cargo chegou a existir, mas que o mesmo deixou de funcionar: a Jaqueline pediu, entretanto, ao contabilista para lhe ser retirado o meio tempo, porque, neste momento, ela não tem tempo para cumprir um horário fixo na Junta”, comunicou Alexandre Gomes, acrescentando que “não foi afixado edital em lado nenhum”, sob pretexto de que “cada um dos vogais do executivo exerce, na prática, funções a tempo inteiro”.

Na resposta, a deputada requerente lembrou “que qualquer um de nós quando não pode não se candidata ao serviço público, este cargo tem afinidades com a nobre função de voluntariado, quando concorremos temos de saber que vamos ter tempo para cumprir a missão. E ainda bem que há pessoas que são totalmente voluntárias e o dinheiro ainda lhes sai do bolso. Percebo que deve ser complicadíssimo ter o telefone a tocar permanentemente, mas quando concorremos é seguro para todos que, se ganharmos, vamos ter de estar ao serviço do povo a toda a hora”, retorquiu Rosalina Araújo.

Noutro plano, o presidente da Junta de Freguesia colocou os eleitos a par das diligências, entretanto, realizadas para devolver segurança ao miradouro dos Cruzeiros, prometendo substituir, quanto antes, a estrutura. A este respeito, o vogal Albino Enes exortou o executivo a operar uma “conjugação de materiais (ferro e madeira) para aliar a segurança à traça arquitetónica original”, ideia que Alexandre Gomes recebeu com abertura.

No período em que o executivo foi chamado a lançar o debate sobre os assuntos de interesse para Soajo, o presidente da Junta passou literalmente a palavra aos membros da Assembleia de Freguesia e os eleitos da oposição (PS) não se fizeram de rogados.

Albino Enes aconselhou o executivo “a interagir com os feirantes de maneira a concentrar mais as tendas, porque há muito espaço livre junto aos balneários, neste sentido, existindo uma reorganização com a colaboração dos comerciantes, seriam disponibilizados alguns lugares de estacionamento junto à faixa de rodagem”.

Por seu turno, Rosalina Araújo – depois de alertar o presidente da Assembleia de Freguesia sobre a necessidade de “fazer cumprir o regimento afixando as convocatórias para as assembleias de freguesia em locais visíveis (desde logo no edifício da sede da Junta), bem como de encaminhar atempadamente por email quer as convocatórias quer toda a documentação alvo de debate no órgão” – elencou “pequenas situações” para demonstrar a estagnação de Soajo. “Um relógio parado na torre de uma igreja mostra que a nossa terra está morta, e nós não queremos isso. […] Por outro lado, acho que o expositor na Junta de Freguesia tem de ser revisto e tudo o que não interessa é para ser retirado”, apontou.

Já Manuel Couto trouxe à baila a questão da (in)segurança rodoviária tanto na estrada da Várzea como na estrada do Poço das Mantas, tendo o presidente da Junta em resposta garantido que já foram feitas diligências pela autarquia no sentido de ser feita uma intervenção (colocação de rails de proteção)  na zona onde se deu o fatídico acidente nas cercanias da referida zona balnear.

Enquanto isso, no período destinado ao público, Maria Cunha referiu que “o estacionamento no Largo do Eiró está pior agora do que estava com o antigo presidente da Junta”, lamentando que “o executivo não esteja a fazer o suficiente para que as autoridades possam atuar”. Acrescentou que “a circulação de automóveis e tratores coloca em causa a segurança do pelourinho, que carece urgentemente de proteção”.

“Vejo o massacre que o pelourinho leva diariamente, pergunto quem se vai responsabilizar quando o pelourinho for derrubado?”, questionou.  

Na resposta, o presidente da Junta admitiu que o estacionamento no Largo do Eiró não está bem, em relação ao pelourinho, se a maioria achar que tem de ser protegido, então protege-se, mas sem a masmorra de pedras que lá estiveram, sobre isso, digo já que não. Se alguém lhe tocar e/ou derrubar, Deus queira que isso nunca aconteça, a pessoa que provocar o acidente é a responsável pelo estrago que fizer”, atalhou Alexandre Gomes.

Ainda sobre estes temas de reflexão recorrente, Luísa Cunha sublinhou que “a medida de proibir o estacionamento no Largo do Eiró nunca foi cumprida, em nenhuma outra praça histórica isso acontece, facto este que é vergonhoso para a terra: é inadmissível que um Monumento Nacional como o Pelourinho não esteja protegido. Admito que as pedras que lá estiveram em tempos fossem feias, mas protegiam o Pelourinho, algo que agora não sucede. Há condutores que passam a uma velocidade que até dá dó”, acusou.

Na mesma toada, Luísa Cunha disse ainda “não ter memória de ver Soajo tão porco como agora. É silvas e ervas nos caminhos, é sujidade, é plásticos… As pessoas são porcas, mas o que nos falta é uma recolha do lixo como é feita na sede do concelho. Nós somos cidadãos do mesmo Município, pagamos impostos (e, se calhar, pagamos muito mais que algumas pessoas da vila dos Arcos), por isso, o tratamento tem de ser igual”, defendeu.

Segundo esta cidadã de Soajo, “outra questão grave é que agora os passeios servem de parque de estacionamento. Toda esta inércia que se vê é inaceitável, tudo se faz. Isto não é a selva, mesmo na selva é preciso respeitar quem lá vive, há em Soajo uma completa falta de respeito, de dignidade e de civismo”.

No remate da sua intervenção, Luísa Cunha expressou “indignação”. “Queiram desculpar os jovens do executivo, mas eu estava à espera de mais da vossa parte, porque, se quiserem, formam um grupinho de jovens com ideias e com potencial. A vossa eleição na altura até me deixou bastante alegrada, mas passados estes meses, vocês são uma desilusão. Temos de ser sinceros, eu já tenho idade para dizer aquilo que penso. Acima de tudo, temos de ser mais proativos e trabalharmos em conjunto”, concluiu.

Por seu lado, Américo Peixoto salientou que “a falta de água em Soajo é o ponto fulcral que todos temos de levar em atenção, basta lembrar que, neste momento, a maior parte das aldeias e vilas já estão a implementar medidas para racionar a água. A água é um bem essencial para pessoas e animais. Nesta matéria, tem de haver uma concordância entre Baldios, Junta e Regadios para resolver o problema da água, é uma questão prioritária para todos”.

Já Manuel Carvalho não escondeu a mágoa por Soajo não ter ainda um lar. “Há vinte anos que andamos de promessa em promessa e ainda hoje continuamos sem um lar. Os nossos idosos têm de ir para Monção ou para outro lado qualquer. […] É uma vergonha para Soajo. Haja vontade para fazer a obra. […] A meu ver, a população de Soajo concorda que se faça um lar de raiz”, atirou, com convicção.

Em resposta, Alexandre Gomes frisou que “há uma razão para fazer o lar no Centro Social e Paroquial de Soajo, tal advém do facto de a estrutura ser só para soajeiros, estamos a trabalhar para disponibilizar entre 25 e 30 camas. Se calhar, o lar já estaria feito se alguém tivesse cedido um bocado de terreno. Mas, como isso não se verificou, agora vai ser preciso fazer mais dois projetos, começando tudo de novo. Mas a obra não está esquecida, ainda há poucos dias estivemos reunidos com o senhor padre Custódio, a diretora do Centro, Fernanda Brasileiro, e a diretora da Segurança Social de Viana do Castelo, Cristina Oliveira”, adiantou o presidente da Junta.