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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Desde que entrou em funcionamento a empresa Águas do Alto Minho (AdAM) tem sido notícia por irregularidades na faturação, aumento desproporcionado do custo da água, falhas clamorosas em estimativas, períodos de consumo imprecisos, cobrança de saneamento a utentes não ligados à rede e falta de resposta às reclamações.

Para memória futura, os eleitos de Soajo na Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez dividiram-se, há quase dois anos, na votação da proposta de adesão da Câmara à referida companhia. A favor da parceria votaram Manuel Barreira da Costa e Ivo Baptita (ambos do PSD), enquanto Jorge Lage (PS) e Sandra Barreira (CDU) rejeitaram a proposta. Mas a Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez, com quarenta votos a favor, 14 contra e seis abstenções, autorizaria a Câmara a aderir à parceria entre o Estado português e sete municípios do Alto Minho com vista à gestão intermunicipal dos sistemas de abastecimento público de água e saneamento de águas residuais.

Na defesa da proposta, o presidente da Junta de Freguesia de Soajo justificou a sua posição com o facto de “haver uma atenção especial aos carenciados” e de estar prevista “uma entidade reguladora”.

“Espero que, com a empresa AdAM, as coisas venham a melhorar. Debatemo-nos com grandes problemas de água em Soajo, no verão do ano passado, todos os dias os camiões dos Bombeiros levaram água para Cunhas, Paradela e Adrão”, lembrou Manuel Barreira da Costa, antes de tecer alguns considerandos acerca da Assembleia de Freguesia de Soajo ocorrida poucas semanas antes.

“Falei sobre esta situação e ninguém me fez perguntas, as pessoas estão sensibilizadas, sabem que, se não houver aumento de uma maneira, haverá aumento de outra. E não haverá despedimentos de trabalhadores”, afiançou o presidente da Junta, que, no entanto, se esqueceu de dizer que a questão da água não integrou a ordem de trabalhos dessa sessão da Assembleia de Freguesia e, neste sentido, não foi colocada à votação dos eleitos, aos quais, de resto, não foi facultada qualquer documentação acerca desta matéria.

Para melhor contextualização, o blogue Soajo em Notícia recupera as declarações proferidas pelo presidente da Junta nessa Assembleia de Freguesia, justamente no dia a seguir ao encontro que juntou os autarcas de freguesia e o presidente da Câmara na sede do concelho.

“Nesta reunião, a grande maioria dos presidentes de junta era contra, mas, depois das voltas dadas pelo presidente da Câmara, penso que a maior parte ficou confusa. A água e o saneamento dão um prejuízo à Câmara na ordem dos 400/500 mil euros todos os anos e, portanto, ou eles constituem a parceria […] ou a Câmara Municipal terá de aumentar o preço da água entre 28% e 30% em relação ao tarifário atual. Ora, fazendo as contas, não sei como é que estaremos melhor”, afirmou Manuel Barreira da Costa na Assembleia de Freguesia, dando a entender que vários colegas terão ficado com a perceção de que, afinal, havia bons motivos para a agregação dos sistemas de água.

Para além disso, o autarca de Soajo revelou aos eleitos e populares presentes na sala do Centro Social e Paroquial que “os presidentes de junta perguntaram [a João Manuel Esteves] se essa empresa não ia fazer o saneamento também, mas isso está fora de questão, eles só vão pegar naquilo que existe […]. Infelizmente, fiquei a saber que o saneamento não é para já nos lugares de Soajo. Lembrei ao presidente da Câmara que temos um projeto já feito, somos uma Área Protegida, e nas áreas protegidas devia haver saneamento, e o senhor presidente até disse que era verdade”, contou Manuel Barreira da Costa, na referida sessão ordinária da Assembleia de Freguesia.

Pesando a dialética política no prato da balança, era aguardada com alguma expetativa a posição de voto do presidente da Junta de Freguesia (e deputado por inerência de funções) na Assembleia Municipal de 29 de junho de 2018, o qual optou por aprovar a proposta de concessão da água, ao contrário da secretária da Junta e deputada, Sandra Barreira, que rejeitou a constituição da parceria.

Foto | JN