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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

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Esta quinta-feira de manhã, o sinal de sino avisou a população de Paradela para o exercício de autoproteção contra incêndios que se ia realizar no lugar ao abrigo do programa “Aldeia Segura, Pessoas Seguras”. Sob temperaturas relativamente baixas para a época de verão, o simulacro, com dois pontos de encontro ou refúgio (Casa do Povo/capela e Castelo), visou melhorar a capacidade de resposta dos vários agentes envolvidos na proteção de aglomerados populacionais e, ao mesmo tempo, sensibilizar a população para evitar comportamentos de risco.

O primeiro local de concentração decorreu no largo fronteiro à capela e à sede da Casa do Povo, para onde convergiu a população residente da parte de baixo da aldeia, já alertada pela oficial de segurança local, Cristina Martinho (será coadjuvada nesta missão por Fernando Martinho), para se aglomerar no local onde as pessoas, em cenário de catástrofe, se vão refugiar com o objetivo de escapar às chamas.  

Entre as várias forças da Proteção Civil presentes nesta ação, em que todas ficaram a conhecer melhor o lugar, tomaram a palavra a Poteção Civil Municipal (PCM), os Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez (BVAV), a representante do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Viana do Castelo e a GNR, além da Junta de Freguesia de Soajo e da Comissão de Baldios de Soajo.

Na sua intervenção, o vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal frisou que “o lugar de Paradela, devido à vegetação ao redor, à proliferação de eucaliptos e à idade avançada dos moradores, é muito perigoso e de risco elevado”, disse Olegário Gonçalves, anunciando aos populares que decorrem trabalhos de recuperação dos pontos de água no lugar para permitir o abastecimento dos meios terrestres e aéreos.

Do lado da PCM ainda, o técnico Luís Macedo explicou que a realização do simulacro no lugar de Paradela resulta do entendimento que a Proteção Civil tem acerca do “perigo” que os incêndios representam nesta aldeia. “Em caso de um incêndio de grandes dimensões, que ninguém naturalmente espera, o risco de perda de vidas humanas é enorme. Sabemos que as pessoas têm apego aos bens (como as suas casas), mas a verdade é que estes são passíveis de reconstrução, as vidas humanas é que não”, vincou o chefe da Divisão do Ambiente.

Por seu turno, o comandante dos BVAV, colocando também a tónica na “segurança da população”, passou do ambiente simulado para a realidade vivida frequentemente na aldeia de Paradela. “Há um histórico de incêndios à volta do lugar, muito recentemente [2016] tivemos de cortar a estrada, e sem dúvida que Paradela é um dos lugares que nos causam mais preocupação, porque os bombeiros estão demasiado longe, demoram cerca de 25-30 minutos a cá chegar, isto se houver bombeiros disponíveis no momento da ocorrência, visto serem muitas as deflagrações simultâneas no concelho”, alertou.

Para Filipe Guimarães, “a primeira prioridade é salvaguardar sempre as vidas humanas. Mas para isso é importante que toda a gente cumpra e se reúna no ponto de refúgio, fazendo jus ao ditado ‘Primeiro eu, depois eu e sempre eu’. Os moradores também são bombeiros, embora sem farda. A vossa vida é a nossa causa, faremos tudo para vos proteger”, garantiu o comandante, que também vê no eucalipto “o maior inimigo do território”, espécie invasora que “está a tomar conta dos montes outra vez”.

Já o presidente da Junta de Freguesia realçou a “importância” da iniciativa para salvar vidas humanas, prometendo a máxima colaboração da autarquia para “ajudar naquilo que for necessário”. Manuel Barreira da Costa observou que “a lista de cinquenta e tal moradores aumentará com a vinda dos emigrantes em julho e agosto para cerca de duzentas pessoas, incluindo crianças, pelo que é importante atualizar a listagem, devendo as pessoas aqui presentes passar a mensagem”.

A oficial de segurança local, uma das originalidades da metodologia, deu cumprimento ao papel que lhe foi destinado, mostrando o seu contentamento pela presença da totalidade dos moradores nos pontos de encontro e avisando-os de que, em caso de incêndio no futuro, “a probabilidade de ser mais severo do que o de 2016 é grande, dada a rápida propagação do eucalipto”, sustentou Cristina Martinho.

“Há cada vez mais eucaliptos (até nos currais das casas), eles rebentam em todo o lado, todos, incluindo eu, temos bouças com eucaliptos, se pensarmos em tirar rendimento de cinco em cinco ou de seis ou seis anos, vamos acabar com as nossas casas e com as nossas vidas. Pensem em vender, arrancar e cortar os eucaliptos”, recomendou.

Cristina Martinho informou ainda os residentes de que o ponto de refúgio na Casa do Povo/capela acolherá os moradores da Laje para baixo, enquanto os moradores do lado de cima deverão confluir para o Castelo, levando com eles os medicamentos que habitualmente tomam.

Em representação do CDOS de Viana do Castelo, Cátia Silva elogiou a iniciativa neste aglomerado, insistindo no “princípio da segurança” para salvaguardar a proteção de pessoas e bens.

Por fim, o capitão de infantaria Gabriel Barbosa, comandante do Destacamento Territorial da GNR de Arcos de Valdevez, tratou de comunicar aos presentes o “trabalho de fiscalização da Guarda”, pedindo às pessoas para avisarem a GNR das zonas que estão em perigo, com menção dos proprietários dos respetivos terrenos”.

Depois do primeiro ato de sensibilização, o dispositivo operacional rumou à parte de cima da povoação, prosseguindo o plano no Castelo, onde, também em ambiente simulado, se pretendeu aperfeiçoar a capacidade de resposta das várias entidades envolvidas na operação.

No âmbito do referido programa (que o lugar de Vilar de Suente já havia testado há dois anos), procedeu-se, complementarmente, à colocação de sinalética (direcional e pontos de refúgio) e à disponibilização de kits de primeiros socorros. Mas, em contexto real, que ninguém espera (re)viver, também serão fornecidos líquidos e alimentos à população para garantir condições à permanência no local o tempo que for preciso em caso de urgência.

No fim, a população terá ficado com a perceção de que a autoproteção é uma missão de cada um e de todos os residentes do aglomerado de Paradela, onde, dos 55 habitantes (praticamente todos compareceram a este simulacro), a grande maioria tem mais de 65 anos.

A iniciativa resultou da articulação entre Autoridade Nacional de Proteção Civil, CDOS, Câmara Municipal (Serviço Municipal de Proteção Civil), GNR, INEM, BVAV, Junta de Freguesia e Comissão de Baldios.