Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Com raízes em Soajo, por via paterna, Ana Paula Gomes cresceu numa família de acolhimento em Salem (Massachusetts) e foi o primeiro elemento da sua família a seguir formação superior, conseguindo um dos mais altos diplomas na área de Enfermagem (Doctor of Nursing Practice), obtido no prestigiado Massachusetts General Hospital Institute of Health Professions.

Aos oito anos, com a irmã gémea, Ana Paula Gomes foi entregue a uma família de acolhimento. “Foi uma infância muito diferente daquela que tem a maior parte das crianças naquela idade. Por isso sabia que ia para Medicina para marcar a diferença. Estava determinada a dar também os cuidados e o apoio emocional que recebi enquanto passei por aquele processo. Queria ajudar pessoas com problemas de saúde mental, especialmente crianças. Hoje é precisamente o que faço num dos meus dois empregos a tempo inteiro, trabalho com pacientes de todas as idades com distúrbios mentais e dependência de drogas, no Boston Neurobehavioral Associates, em Waltham (Massachusets)”.

Em entrevista ao jornal LusoAmericano, a jovem enfermeira e profissional de saúde mental recorda o ambiente bem português desde a sua meninice. “Tanto é que ainda faço parte do Rancho Folclórico de Peabody (Boston), onde já estou desde criança”, conta. Também é voluntária na Sociedade do DES de Peabody, participa em bailes de carnaval comunitários e socorre-se do português quando cuida de doentes com “barreiras linguísticas”.

Na altura em que rebentou a crise da Covid-19, as autoridades de saúde em Boston transformaram o Centro de Convenções em hospital de campanha com mil camas e Ana Paula Gomes seguiu, uma vez mais, o caminho do voluntariado. “Eu já estava desde março a prestar cuidados de saúde como voluntária enquadrada nos Medical Reserve Corps em vários hospitais de Boston com doentes afetados pela Covid-19. […] Quando me ofereceram a oportunidade de me associar ao ‘Boston Hope’, que acolhe e cuida de moradores de rua com Covid-19 dependentes de ajudas públicas, não pensei duas vezes. Nem nunca tive dúvidas de que era aqui que queria estar”.

Apesar de acumular no currículo várias missões médicas como voluntária, quer nos Estados Unidos quer em África, a experiência no ‘Boston Hope’ revelou-se diferente de tudo o que já experienciou. “[Fazer turnos de 12 horas à noite], tem-me tornado certamente uma pessoa mais humilde”, assegura.

Nas palavras da jovem de 27 anos, “o ‘Boston Hope’ obedece a um modelo de medicina que se aplica à resposta a situações de desastre e emergência. É um clima muito diferente daquele que se respira num hospital tradicional. O equipamento de proteção pessoal, por exemplo, é obrigatório, uma vez que todos os pacientes têm Covid-19”.

Para Ana Paula Gomes, a pandemia provoca “ataques de ansiedade, assim como tendências suicidas […], sendo que os doentes têm receio de sair de casa, até para ir buscar os medicamentos à farmácia”.

Para se poder atuar eficazmente no campo da saúde mental, “é necessário gostar-se do que se faz, porque não é fácil. Ouvir as experiências de vida destas pessoas pode traumatizar […], mas, nesta altura, tem sido muito desafiador trabalhar nesta área da medicina”, conclui.

Fonte de informação e fotos | Jornal LusoAmericano