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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Vários soajeiros manifestaram-se, esta segunda-feira, 15 de março, na Praça Municipal, para contestar o “mau funcionamento” da empresa Águas do Alto Minho (AdAM) desde a sua entrada em funcionamento, em janeiro de 2020. A pedido de um dos populares, o grupo foi recebido no exterior do edifício dos Paços do Concelho pelo presidente da Câmara, que foi confrontado com os “inúmeros erros grosseiros” da empresa.

Na concentração, sem qualquer conotação partidária, a munícipe Alice Rocha resumiu o sentimento geral. “A água é um bem essencial, todos nós estamos a receber faturas com valores absurdos para pagar. Não sei como é que são feitos os cálculos e, apesar dos pedidos de explicações, ainda não obtivemos qualquer resposta às reclamações. O nosso salário vai quase todo para a água, quem ganha o salário mínimo não tem dinheiro para pagar faturas de 400 euros”, queixou-se esta cidadã de Souto, interrompida por um ativista que denunciou “faturas de consumos iguais com valores diferentes”.

A soajeira Amélia Barreira, ao blogue Soajo em Notícia, deu voz à sua indignação. “Estou a receber faturas com contas exorbitantes em relação àquilo que eu pagava antes, até de um contador desligado, desde outubro de 2020, estou a pagar falsos consumos. Além disso, há casos de faturas sobrepostas, devido a contagens diferentes. Isto acontece apesar de termos água mais do que suficiente em Soajo, a água até é nossa, porque, segundo sei, há duas nascentes que a AdAM continua a explorar em Soajo. Como não confio na empresa, fui ao banco cancelar o débito direto e só pago quando eu entender”, atirou a manifestante, lembrando que, quando o serviço era municipalizado, “nunca houve estes problemas”.

Por seu lado, a conterrânea Luísa Cunha explicou que a sua revolta “resulta do montante da fatura recebida, cerca de 400 euros”, mas a “maior indignação” até provém do facto de “pagar quase tanto de resíduos como de água (160 e tal euros de água para pagar e 150 e tal euros de resíduos para liquidar). Isto é algo que merece uma explicação, porque a receita dos resíduos reverte para as câmaras. Já fui à loja da AdAM, mas não vim de lá convencida. Mais do que o valor total da fatura, entendo que devia ser explicado o que está a ser pago por conta de taxas e taxinhas. As câmaras deviam ser mais transparentes”, alerta.

Já Manuel Araújo (“Leiras”) disse “não perceber a faturação da AdAM”. “Recebo duas ou três faturas por mês, numa amarela, de alegado acerto, é reportada uma despesa de 50 euros, mas tenho outra a acompanhar de mais 20 euros. Como se fosse pouco, já paguei outra do mesmo mês. Dantes, pagava 40 euros de dois em dois meses. Agora, estou a pagar esse valor quase todos os meses. O maior problema, a meu ver, reside no facto de não haver leituras, é tudo feito por estimativa. Já fiz reclamações sobre estas anomalias, quero saber o que é que estou a pagar. Prometeram mandar-me uma nova fatura há um mês, mas até agora não recebi nada. Independentemente do que suceder no futuro, era (e sou) de opinião que o serviço da água deve ser assegurado sempre pela Câmara”.

Além de “faturas com valores exorbitantes”, “coleção da faturas recebidas no mesmo mês”, “leituras erradas e trocadas”, “períodos de faturação que não coincidem com os períodos de consumo”, “metros cúbicos de água pagos a mais”, “cobrança indevida de IVA na taxa de gestão de resíduos”, “reclamações não respondidas e telefonemas não atendidos”, outros palestrantes denunciaram ainda “cobranças de saneamento público onde não existe este serviço”, códigos de pagamento errados”, “contagens fornecidas pelos consumidores que não foram consideradas”, “acertos de consumo debitados em escalões mais onerosos” e “resíduos sólidos cobrados sem consumos de água e saneamento”.

Na resposta, o presidente da Câmara optou pela diplomacia, mostrando compreensão pelos relatos de indignação apresentados, mas insistindo, ao mesmo tempo, nas virtudes da solução adotada há 15 meses, com anúncios de futura correção. “A parceria é boa, a ideia da concessão também, mas o projeto está a ser profundamente atacado pela má gestão, afetando os munícipes e a própria credibilidade da Câmara. Ou seja, nada disto que aqui está a ser contado era suposto acontecer… O que nós queremos agora é esclarecer e corrigir, criando condições para que os consumidores recebam uma fatura limpa, por isso é que os municípios exigiram a realização de leituras reais todos os meses, em vez de estimativas, e a simplificação das faturas”, disse João Manuel Esteves.

Para defender os lesados, o edil arcuense comunicou aos presentes a “criação do CIAB (Centro de Informação, Mediação e Arbitragem de Consumo), um tribunal arbitral de consumo”; a “atribuição de um apoio municipal às famílias com baixos rendimentos”; o estabelecimento de “tarifários reduzidos para as famílias numerosas”; e o “pedido feito ao Estado para compensar financeiramente os consumidores pelos transtornos provocados pelo mau funcionamento da AdAM”.

À mesma hora em que os restantes municípios aderentes à AdAM acolhiam ações de protesto, o presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, no meio de vários pedidos de reversão do contrato de concessão, foi questionado sobre as consequências a ponderar caso a empresa supramunicipal não mudasse de rumo rapidamente.

“Se a situação não se endireitar, aí tomaremos outras atitudes”, retorquiu João Manuel Esteves.

Recorde-se que, no mês findo, os autarcas dos sete municípios acionistas disseram publicamente estar do lado da população e fizeram um ultimato até à próxima emissão de faturas para que a AdAM assuma um “novo ciclo na administração da empresa”.

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