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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

A Assembleia de Freguesia de Soajo, reunida no passado dia 30 de novembro, aprovou, por unanimidade, a convocação de uma Assembleia extraordinária para abrir caminho a uma alternativa ao muito contestado projeto de requalificação urbana e paisagística do Largo do Eiró, cujas obras arrancaram no passado dia 19 de novembro, mas acabaram suspensas oito dias depois. No “sitiado” Largo do Eiró, o que agora salta à vista é o espaço cercado de mais de trinta estruturas (várias contendo terra vazada pela empresa adjudicatária) e a plantação de couves nalgumas delas, como sinal de protesto.

Sem qualquer possibilidade de tomar uma deliberação sobre o projeto, por não constar da ordem de trabalhos, a Assembleia de sábado, muito concorrida pelo povo soajeiro, autorizou também a criação de uma comissão (até ver, sem rostos nem local onde reunir) e, em paralelo, acordou uma “proposta de remoção das estruturas [aço corten] o mais rápido possível, com a prerrogativa de não haver estacionamento no Largo do Eiró”, estando prevista a colocação de uma placa proibindo o estacionamento neste local.

Mas esta Assembleia de Freguesia teve momentos acalorados e um caso que passou despercebido à grande maioria – a deputada Rosalina Araújo, no início dos trabalhos, entregou à Mesa uma carta de renúncia do cargo, assumindo a sua quota-parte de responsabilidades pela aprovação do fracassado projeto na Assembleia de 7 de setembro de 2018, mas a missiva não foi lida pela Mesa.

Para pacificar os ânimos, o presidente da Junta de Freguesia comunicou que a sessão extraordinária do órgão deliberativo se realizará no início da próxima semana (“segunda ou terça”) e nela participará um elemento da vereação da Câmara, acompanhado de um técnico. Acrescentou que a anunciada comissão terá a possibilidade de apresentar alternativas ao “(des)arranjo” do Largo do Eiró, que o próprio Manuel Barreira da Costa classificou de “porcaria” mais que uma vez.

“Que se juntem três ou quatro pessoas, apresentem alternativas, falem com o povo e se articulem com a geringonça da Junta”, exortou o autarca social-democrata.

Para uma mais fácil perceção dos pontos de vista dos eleitos, o blogue Soajo em Notícia edita, a seguir, o essencial das declarações que a respeito da iniciativa em curso foram proferidas por Manuel Barreira da Costa, Cristina Martinho e João Manuel Esteves (o presidente da Câmara, questionado pela oposição, no caso o CDS, pronunciou-se sobre o tema na Assembleia Municipal de 28 de novembro).

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. Manuel Barreira da Costa | “Regozijo-me pela elevada participação de soajeiros nesta Assembleia, sinal de que estão preocupados com o Largo do Eiró, eu também estou, não gosto do que estou a ver, mas todos nós, tanto a Junta como a Assembleia, temos um bocado de culpa, pois todos votámos a favor daquela porcaria que está no Largo do Eiró”.

“E votámos a favor porque não sabíamos ao certo o que se ia pôr ali, de qualquer maneira, como nós queremos fazer uma coisa em condições, […] vamos ouvir todas as pessoas. Espero que, na Assembleia extraordinária, venham em massa como hoje, os interesses de Soajo estão à frente de tudo”.

“Tenho, aqui, uma solução alternativa, passaria por tirar metade daqueles contentores: a parte interior saía toda, só ficava uma fila”, concluiu Manuel Barreira da Costa, antes de se ouvirem na sala algumas palavras de ordem contra os eleitos e a favor da remoção total das estruturas apelidadas de “barcos”, “ferralha” e “sucata”.

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. Cristina Martinho | “Sinto-me enganada como deputada, não votei o que está no Largo do Eiró. Mas a culpa, que seja dito também, foi mostrar o projeto à pressa. Interessa a todos que os carros transitem à vontade, que as pessoas fluam e, sobretudo, que não se perca a noção de Largo do Eiró, uma praça pública de encontro, onde as pessoas se reúnem e confraternizam, para além de continuar a ser um local de eventos”.

“Acho que devemos arrumar a uma esquina todo o material [estruturas] até arranjar uma alternativa para que os ânimos não fiquem ainda mais exaltados e não se crie ali um turbilhão. A opinião do público que está aqui é que ninguém quer o Largo do Eiró assim. Tal como está, não! Ontem [sexta-feira, 29 de novembro], as pessoas tiravam fotografias a este ferro, não tiravam ao pelourinho, quando o pelourinho é que tem história”.

“Sugiro que seja trazido mais do que um plano alternativo (com mais granito ou madeira em vez do ferro) para não bloquearmos e não ficarmos com esta aberração no Largo do Eiró mais um ou dois meses à espera de uma resolução, algo que se tornaria demasiado perigoso, tal como o Largo está agora”.

“Desejamos, por isso, que o projeto seja o mais leve possível, onde a definição do Largo do Eiró seja respeitada, sem esconder o pelourinho e as casas. Simplesmente, temos de tirar o trânsito, existem praças sem trânsito e sem nada por todo o mundo e são lindíssimas”, vincou Cristina Martinho, com o presidente da Junta a revelar concordância.

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. João Manuel Esteves | “O que temos no Largo do Eiró é um projeto normal de reabilitação urbana, foi aprovado tanto por nós como pelos órgãos da autarquia de Soajo, estamos a implementar o projeto, há sempre vicissitudes que acontecem quando um espaço público tem carros e queremos tirar de lá os carros. O que há no local é, portanto, uma alteração substancial àquilo que existia.

“O que lamento profundamente são os atos de vandalismo, estes não podem ocorrer, como é óbvio. Mas a situação está a ser resolvida e, atendendo às preocupações manifestadas pelas pessoas, a Junta de Freguesia e a Câmara estão a articular as melhores soluções para o projeto. O que a todos interessa é valorizar um espaço digno de reabilitação urbana, o qual tem, reconhecidamente, muito valor e uma grande carga histórica”.

“Convém sublinhar que esta obra, como é pública, e não é vedada, não é daquelas empreitadas que se fecham e só no fim é que se veem, foi sendo desenvolvida sob o olhar público e, como tal, sentiu-se necessidade de serem reposicionadas algumas coisas [estruturas]”.

“A obra não está pronta, é um arranjo que emprega materiais nobres para uma área nobre, tem nas proximidades um Monumento Nacional. Por tudo isto, queremos que seja um local de distinção”.

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