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Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

Soajo em Notícia

Este blogue pretende ser uma “janela” da Terra para o mundo. Surgiu com a motivação de dar notícias atualizadas de Soajo. Dinamizado por Rosalina Araújo e Armando Brito. Leia-o e divulgue-o.

A jovem Rita Tavares, estudante do curso Produção Teatral, na Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo (Instituto Politécnico do Porto), apresentou, no passado mês de junho, o “Festival Espigar – Histórias e Tradições de uma Vila”, um projeto dedicado a Soajo, onde a jovem tem as suas raízes familiares.

Depois de dar a conhecer o Festival em meio universitário, junto de um público jovem que adora conhecer cultura, património e tradições, Rita Tavares tem “muita vontade” de “amadurecer” o projeto para o fazer sair do papel e dar-lhe vida em contexto real, mediante a recetividade da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia.

Em declarações ao blogue Soajo em Notícia, Rita Tavares explica que a criação de um festival “o mais perto possível da realidade” a fez “investir no interior do país” e “obviamente que a escolha de Soajo […] foi fácil”.

O projeto “tem como principal input a criação dos museus das famílias nos espigueiros, ideia que nunca abandonei e que ocupa uma parte fundamental do desenho da programação”.

Segundo Rita Tavares, “o feedback do meio universitário é muito positivo e encorajador. Todos são de opinião que o festival ‘tem estrutura para existir um dia em contexto real e que este investimento no interior do país é importantíssimo e essencial na preservação do património’ de Soajo”.

A seguir, a jovem de que se fala conta o processo de desenvolvimento da ideia que está ancorada na rica história etnográfica de Soajo.

Oportunidade

“No segundo ano do curso superior de Produção, foi-me pedido para criar um festival o mais perto possível da realidade. Foi praticamente imediata a minha vontade de investir no interior do país, tendo em conta o seu grande potencial e o facto de a cultura não chegar lá tão rápido. Obviamente que a escolha de Soajo, como espaço de apresentação do meu festival, foi igualmente fácil. Além do afeto que sinto e das muito boas memórias que tenho desta vila, sempre vi um enorme potencial nas suas gentes, tradições e histórias. Potencial que gostava de fazer germinar e de ajudar as novas gerações a valorizá-lo e a protegê-lo.

Desenvolvimento do projeto

“Depois de várias experiências e tentativas erro, comecei a desenhar o festival que apresentei há semanas, tendo como principal input a criação dos museus das famílias nos espigueiros, ideia que nunca abandonei e que ocupa uma parte fundamental do desenho da programação.

Ou seja, a partir do momento que defini Soajo como palco do meu festival iniciei uma pesquisa aprofundada no aglomerado consultando os habitantes e procurando recolher informações sobre histórias e tradições.

Tenho de realçar a imensa ajuda que Nuno Soares, Rosalina Araújo, Rosa Enes, tia Artémia e tio João Careca me prestaram nas conversas que travei com eles, além de terem sido momentos de maior prazer pessoal deste processo. Através deles, consegui um olhar sobre esta vila, que fez (e faz) parte da minha vida familiar.

Foi como se se fizesse luz na minha cabeça e conseguisse finalmente criar uma ligação direta entre os soajeiros independentes e donos do seu nariz com a história de uma vila com características tão peculiares, entre elas a vida em comunidade.

Fase de maturação

“No trabalho de maturação e de ‘descoberta’, fechei o conceito do Festival: explorar a história, as tradições e as gentes da vila de Soajo, mantendo-as vivas geração após geração. Ao mesmo tempo, procurei fazer da iniciativa um projeto comunitário, em que os artistas são os habitantes e podem contar com trinta dias de ‘Residência Artística’, espalhados pelos meses de maio, junho e julho.

O tempo de maturação e conhecimento da Vila e das pessoas que nela habitam sempre foi fundamental na filosofia de todo o Festival. A equipa tem como objetivo criar uma relação genuína e de confiança com estas pessoas, fazendo com que elas percebam que são o input de toda a programação e se sintam parte integral do projeto.

Recetividade do público universitário

“O feedback do meio universitário foi muito positivo e encorajador. Todos são de opinião que o projeto ‘tem estrutura para existir um dia em contexto real e que este investimento no interior do país é importantíssimo e essencial na preservação do património' de Soajo".

Possibilidade de organizar festival na vila de Soajo

“É muita a vontade de ver o festival sair do papel e saltar para a vila e para todos os seus cantos e recantos. Por essa razão, pretendo daqui a um ou dois anos pegar neste projeto, amadurecê-lo e tentar a minha sorte na Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e na Junta de Freguesia de Soajo. Penso que seria um óptimo investimento cultural na riquíssima vila de Soajo”.

Soajo é “um museu vivo”

“Soajo sempre foi a minha segunda casa ou não fosse o recanto em que uma parte da minha família plantou as suas raízes. Soajo traz calma e um olhar atento. Em Soajo, fui criança e volto a sê-lo sempre que lá regresso e sou recebida com olhares meigos e sempre disponíveis. Soajo tem cor, cheiro e temperatura, é um museu vivo que me garante sempre dias felizes e inteiros”.

Fotos | Cedidas por Rita Tavares